02/02/2012 - Morre poetisa Wislawa Szymborska, Nobel de Literatura em 1996
A poetisa polonesa Wislawa Szymborska, prêmio Nobel de Literatura em 1996, morreu nesta quarta-feira (01/02) à noite aos 88 anos, anunciou sua assistente Michal Rusinek.
Morreu em sua casa da Cracóvia "tranquilamente, enquanto dormia", declarou Rusinek à agência de imprensa polonesa PAP.
Nascida em 2 de julho de 1923 em Bnin, na região de Poznan (oeste), Szymborska cursou a faculdade de letras e sociologia da Universidade Jagellonne da Cracóvia, e nesta cidade histórica do sul da Polônia passou o restante de sua vida.
É autora de cerca de 20 coleções de poemas, marcados por uma reflexão filosófica sobre temas morais de nossa época. Wislawa Szymborska também traduziu poemas, sobretudo da poesia clássica francesa.
Sempre se manteve à margem da vida política. Fazia parte desses intelectuais poloneses para os quais a dimensão espiritual da vida passa à frente de tudo.
Confira alguns de seus poemas:
Tradução: Ana Cristina Cesar
Retornos
Voltou. Não disse nada.
Parecia muito perturbado.
Deitou sem tirar a roupa.
Escondeu se debaixo do cobertor,
as pernas dobradas.
Tem quarenta anos, mas não neste momento.
Está vivo - mas como no ventre materno
atrás de sete peles, na escuridão que o defende.
Amanha dá palestra sobre homeostasis
na cosmonáutica metagalática.
Por enquanto se encolhe, adormece.
*
Os filhos da epoca
Somos os filhos da época,
e a época é política.
Todas as coisas - minhas, tuas, nossas,
coisas de cada dia, de cada noite
são coisas políticas.
Queiras ou não queiras,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um brilho político.
O que dizes tem ressonância,
o que calas tem peso
de uma forma ou outra - político.
Mesmo caminhando contra o vento
dos passos políticos
sobre solo político.
Poemas apolíticos também são políticos,
e lá em cima a lua já nao dá luar.
Ser ou não ser: eis a questão.
Oh, querida que questão mal parida.
A questão política.
Não precisas nem ser gente
para teres importância política.
Basta ser petróleo, ração,
qualquer derivado, ou até
uma mesa de conferência cuja forma
vem sendo discutida meses a fio.
Enquanto isso, os homens se matam,
os animais são massacrados,
as casas queimadas,
os campos se tornam agrestes
como nas épocas passadas
e menos políticas.
*
Céu
Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.
(em: "Antologia de 63 poetas eslavos", tradução e
organização - Aleksandar Jovanovic - editora Hucitec,
São Paulo, 1996)
Confira o video com o poema As Três Palavras Mais Estranhas (Wislawa Szymborska) com Abujamra do programa Provocações:
Foto:http://www.goodreads.com
Morreu em sua casa da Cracóvia "tranquilamente, enquanto dormia", declarou Rusinek à agência de imprensa polonesa PAP.
Nascida em 2 de julho de 1923 em Bnin, na região de Poznan (oeste), Szymborska cursou a faculdade de letras e sociologia da Universidade Jagellonne da Cracóvia, e nesta cidade histórica do sul da Polônia passou o restante de sua vida.
É autora de cerca de 20 coleções de poemas, marcados por uma reflexão filosófica sobre temas morais de nossa época. Wislawa Szymborska também traduziu poemas, sobretudo da poesia clássica francesa.
Sempre se manteve à margem da vida política. Fazia parte desses intelectuais poloneses para os quais a dimensão espiritual da vida passa à frente de tudo.
Confira alguns de seus poemas:
Tradução: Ana Cristina Cesar
Retornos
Voltou. Não disse nada.
Parecia muito perturbado.
Deitou sem tirar a roupa.
Escondeu se debaixo do cobertor,
as pernas dobradas.
Tem quarenta anos, mas não neste momento.
Está vivo - mas como no ventre materno
atrás de sete peles, na escuridão que o defende.
Amanha dá palestra sobre homeostasis
na cosmonáutica metagalática.
Por enquanto se encolhe, adormece.
*
Os filhos da epoca
Somos os filhos da época,
e a época é política.
Todas as coisas - minhas, tuas, nossas,
coisas de cada dia, de cada noite
são coisas políticas.
Queiras ou não queiras,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um brilho político.
O que dizes tem ressonância,
o que calas tem peso
de uma forma ou outra - político.
Mesmo caminhando contra o vento
dos passos políticos
sobre solo político.
Poemas apolíticos também são políticos,
e lá em cima a lua já nao dá luar.
Ser ou não ser: eis a questão.
Oh, querida que questão mal parida.
A questão política.
Não precisas nem ser gente
para teres importância política.
Basta ser petróleo, ração,
qualquer derivado, ou até
uma mesa de conferência cuja forma
vem sendo discutida meses a fio.
Enquanto isso, os homens se matam,
os animais são massacrados,
as casas queimadas,
os campos se tornam agrestes
como nas épocas passadas
e menos políticas.
*
Céu
Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.
(em: "Antologia de 63 poetas eslavos", tradução e
organização - Aleksandar Jovanovic - editora Hucitec,
São Paulo, 1996)
Confira o video com o poema As Três Palavras Mais Estranhas (Wislawa Szymborska) com Abujamra do programa Provocações:
Foto:http://www.goodreads.com
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LuanytheCronica: @stilofm GOSTARIA DE OUVIR A NOVA MÚSICA DO @LUANSANTANA→ "VOCÊ DE MIM NÃO SAI"... Obrigada! (BrunaCarolinaAndrade - MG) ☻ (23:58)
Dom, 20 May 2012 02:58:04 -
xandevicio: Olá @stilofm ,Gostaria de Pedir é Ouvir a Música "Vem Me Salvar" da @BandaSummer Obrigado!
Dom, 20 May 2012 02:35:01 -
FiukConexao: Olá @stilofm @ELITEFM101 @gazeta_fm @RadioFMODia @fmse95,Gostaria de Pedir,é Ouvir a Música “Abre os Olhos” do @Fiuk,Obrigado.
Dom, 20 May 2012 02:20:16 -
Fiuk_MyHalf: Olá @stilofm gostaria de ouvir a música “Abre os olhos” do @Fiuk na programação.
Dom, 20 May 2012 02:17:21



















